Segurança Zero

Governo, Oposição, Partidos, Eleições

Imigrantes

Postby Pedro » Tue Apr 15, 2003 9:15 am

Para Macunaí­ma:

Eu, racista? Mas eu não enalteci tambí©m os imigrantes japoneses, que são de uma raça diferente da minha?

NíƒÆ’O EXISTEM RAíƒâ€¡AS SUPERIORES, EXISTEM CULTURAS SUPERIORES. Os conhecimentos adquiridos, os hábitos e a filosofia de vida podem favorecer ou inibir o progresso.

Quanto aos números referentes í  imigração, em meados do sí©culo XIX a taxa de retorno era de 3 em cada 4, depois diminuiu. Mas o Brasil foi o segundo paí­s da Amí©rica em número de imigrantes europeus recebidos, só inferior aos EUA, e isto í© significativo. Mas não tenho a intenção aqui de ficar citando números e cifras pouco confiáveis, ou discutir se os descendentes dos imigrantes pertencem í  classe pobre ou mí©dia porque sua renda se encontra entre X e Y. Minha visão do processo de imigração não í© da foto (o instantí¢neo), mas a do filme (o contí­nuo). Nota-se que, passados 180 anos do iní­cio do influxo de novas populações de imigrantes para o Brasil, há uma clara tendíªncia quanto í  inserção progressiva destes indiví­duos na classe mí©dia, bem como um projeto de vida baseado no trabalho e na educação, ao passo que as massas nativas tendem a permanecer na mesma situação em que sempre estiveram, e a direcionar-se ao crime, í  revolução e í  dependíªncia dos poderes públicos.

Porque a maioria dos brancos í© pobre? Porque aqui há uma diferença fundamental entre o Brasil e os EUA: alí©m de os EUA haverem recebido um influxo bem maior de imigrantes, a classe mí©dia que originou-se destes imigrantes tornou-se majoritária e assumiu o poder polí­tico, o que jamais aconteceu no Brasil. Aqui o poder continuou a ser exercido pelo concluio pobre-rico: o rico governa, e o pobre o coloca no governo. São as duas fatias do sanduí­che, a que já me referi, feitas do mesmo pão, e a classe mí©dia não passa de um fino recheio. Assim fica difí­cil enriquecer: de um lado os imigrantes produzindo riquezas, do outro lado o governo produzindo deficits, inflação, corrupção...

Uma curiosidade, Macunaí­ma: se vocíª exclui o fator cultural, qual a sua explicação para a pobreza e a riqueza das nações? Em se excluindo os fatores humanos, restam apenas fatores fí­sicos triviais como clima, rios, mares, solos, acidentes de percurso, sorte, etc.
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P/ o Pedro

Postby Brasiliano » Tue Apr 15, 2003 12:16 pm

Pedro, que mal lhe pergunte. Vocíª í© um funcionário público na ativa ou aposentado, tipo ex-professor universitário e portanto com estabilidade e recebendo o mesmo salário de um da ativa?

É interessante ver a sua visão simplista sobre o fení´meno da imigração.
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Eu?

Postby Pedro » Tue Apr 15, 2003 2:18 pm

Eu, funcionário do estado? De jeito nenhum. Já trabalhei para o estado duas vezes, que foram suficientes para eu concluir que apenas a iniciativa privada í© capaz de levar o paí­s ao progresso. A minha aposentadoria não vai ser integral, mas nada me impede de recorrer a fundos privados (e confio mais neles do que os fundos dessas estatais, que dizem estar todos quebrados).

Quanto a minha visão da imigração, í© bem simples mesmo, embora eu tenha uma massa de dados extensa sobre o assunto. Mas se vocíª reparar bem, todas as grandes verdades da ciíªncia tem essa caracterí­stica de serem "de uma simplicidade revoltante", enquanto que os embustes em geral são complicados e rebuscados.
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Postby Estudante do Brasil » Tue Apr 15, 2003 3:11 pm

Pedro,

Vocíª acredita que algumas culturas são superiores a outras? Do ponto de vista tecnológico e de produção de riquezas, parece que sua afirmação tem fundamento. Mas há outros crití©rios para se classificar uma cultura. Por exemplo, a cultura religiosa e espiritual oriental pode ser entendida como superior a sua congíªnere ocidental. Penso que classificar as culturas, mesmo que feito de boa fí©, pode dar margem a uma discriminação injusta das culturas tecnologicamente menos complexas, e justificar atos de violíªncia, como por exemplo, o nazismo.
Outro aspecto interessante: porque os imigrantes europeus e japoneses não se fixaram na sua maior parte na amazí´nia, mas em áreas de clima ameno onde puderam aplicar sua cultura agrí­cola com pequena adaptação? isto não favoreceu o seu sucesso? O fato de terem recebido terras do governo ( diferentemente do povo mestiço e negro que lhes precedeu ) tambí©m não favoreceu o seu sucesso?

Assim, estas culturas tiveram sucesso tecnológico mas lhes foram dadas condições ambientais e econí´micas para tanto. Falta dar a mesma oportunidade ao caboclo do interior do Nordeste, por exemplo.
O Estado precisa investir na educação e na saúde do povo, coisa que jamais fez. Sequer uma reforma agrária efetiva.

Sempre que o povo mestiço e negro tem uma chance, ele revela sua criatividade e capacidade de superação. Machado de Assis, Gonçalves Dias, Cruz e Sousa, Aleijadinho...
Para entender o Brasil, conhecer seus laços com o mundo.

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Discussão

Postby Pedro » Wed Apr 16, 2003 10:54 am

Estudante,

muito boa a sua colocação, sem argumentos emocionais e acusações de racismo. Vou responder item por item.

Cultura superior

Para se falar de uma "superioridade" e "inferioridade", í© necessário definir um parí¢metro pelo qual as culturas sejam medidas. Se o parí¢metro í© o progresso econí´mico, algumas culturas são indubitavelmente superiores a outras. Mas agora, quais hábitos culturais efetivamente contribuem para esta prosperidade? Na minha opinião, todos eles, desde os valores morais atí© os religiosos, passando pela í©tica do trabalho e pela capacidade de coexistir pacificamente.

Imigrantes X Nativos

Os imigrantes europeus e asiáticos eram em geral camponeses; eles se fixaram em terras onde o clima era semelhante ao de suas terras natais porque só conheciam o trabalho agrí­cola peculiar í quele clima. Mas nem todos receberam lotes do governo, apenas uma minoria. Os mestiços não receberam lote nenhum, mas invadiam terras ociosas, e não foram bem-sucedidos: eles praticavam uma agricultura de queimadas, esgotavam o solo e o abandonavam. A razão do sucesso de um e do fracasso de outro não está na posse legal da terra, mas sim NA CAPACIDADE DE TORNA-LA PRODUTIVA.

Investimentos do governo

Os investimentos do governo tem sido feitos de forma incorreta, devido a um secular equí­voco: todos imaginam que o progresso se traduz em obras de engenharia: estradas, hidroelí©tricas, pontes, edifí­cios, etc. Desde Whashington Luí­s (lema: "Governar í© abrir estradas"), passando por Juscelino Khubitschek (lema: "Energia e Transporte") atí© Mí©dici (transamazí´nica, etc.) a idí©ia fixa de todos não í© de construir o povo, mas construir prí©dios. Quando falam em fazer escolas, pensam no prí©dio (como os CIEPs do tempo do Brizola) e não no professor. ESCOLA NíƒÆ’O É EDIFíCIO, ESCOLA É PROFESSOR. Do mesmo modo, hospital não í© o prí©dio, hospital í© o mí©dico. A Corí©ia do Sul, nos anos 60, era muito mais pobre do que o Brasil, mas decidiu investir em massa na educação básica da população. Hoje tem um dos maiores parques industriais do mundo, e excelente infra-estrutura. Eles fizeram certo: primeiro construí­ram o povo, e depois o povo construiu a ponte, a usina, etc.

Reforma Agrária

O Brasil tem 20% da população no campo. É muito; os paí­ses mais adiantados tem menos de 10%. Fazer a reforma agrária í© uma maneira de recriar, de forma artificial, uma etapa por que o Brasil deveria ter passado dí©cadas atrás. As pessoas imaginam o latifundiário como um indiví­duo estúpido e egoí­sta, que prefere manter uma enorme propriedade inexplorada, enquanto os lavradores passam fome. Mas se ele mantí©m aquela terra sem explora-la, í© porque há algum fator que torna a sua exploração economicamente inviável: solo ruim, ausíªncia de estradas, de máquinas, de mercado. E OS FATORES QUE DíƒÆ’O ORIGEM A LATIFúNDIOS IMPRODUTVOS PODEM TAMBÉM GERAR MINIFúNDIOS IMPRODUTIVOS. O resultado de tudo isso í© que o Brasil, que já tem os "Sem Terra", está criando uma nova casta: os "Com Terra", que são aqueles que receberam lotes do governo, mas não conseguiram torna-los lucrativos, e continuam a clamar por mais benefí­cios í  custa do contribuinte.

Mestiço que se destacaram

De fato, há numerosos e honrosos exemplos de mestiços que se destacaram por seu talento. Mas foram mestiços que souberam apreciar e assimilar a cultura dita "branca". Nosso maior autor í©, de longe, Machado de Assis. O que não impede que muitos o condenem por "não haver celebrado a negritude"... Quem celebrou a negritude e vende aos borbotões no estrangeiro não foi um mulato, mas um branco, Jorge Amado (que não chega aos pí©s de Machado de Assis). E a "negritude" que ele celebrou foi estereotipada por negros malandros e mulatas assanhadas doidas por um branco que as sustente - exatamente o tipo de coisa que faz vender livros brasileiros no estrangeiro.
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P/ o Pedro

Postby Brasiliano » Wed Apr 16, 2003 5:06 pm

Pedro,

Vocíª tem escrito a verdade em vários tópicos em sua última mensagem. Um dos pontos í© justamente a polí­tica que o governo brasileiro adotou a tanto tempo e que faz com que brasileiros e mais brasileiros tenham que imigrar para outros paí­ses, fora outros problemas exaustivamente debatidos nesse fórum.
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Postby Macunaima » Sat Apr 19, 2003 9:15 am

"NíƒÆ’O EXISTEM RAíƒâ€¡AS SUPERIORES, EXISTEM CULTURAS SUPERIORES."

Racismo: a presumção que diferenças fí­sicas são necessariamente ligadas a superioridades e inferioridades morais.

O comentário que "africanos" - que são definidos como uma raça, fisicamente indentificável - são inferiores í© um comentário racista no mais estricto sentido, não importando se vocíª atribui a mecanismo dessa "inferioridade" a biologia ou cultura.

Vocíª foi muito claro, Pedro: "africanos" são inferiores a "europeus". O que são "africanos" em sua acepção da palavra? Negros. Negritude í©, então, ligada a inferioridade em sua filosofia. Isto í© racismo.

"Uma curiosidade, Macunaí­ma: se vocíª exclui o fator cultural, qual a sua explicação para a pobreza e a riqueza das nações?"

História.
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P/ Macunaí­ma

Postby Brasiliano » Sat Apr 19, 2003 5:37 pm

Macunaí­ma,

Desculpe-me, mas o Pedro só escreveu a verdade. Sei que a verdade dói em muitas ocasiões, mas vocíª deve reconhecer que não existe nenhum paí­s africano que sirva de bom exemplo. Tudo relacionado a cultura sim. Veja as diferenças entre o Brasil e a Austrália. O Brasil foi descoberto há mais de 500 anos e a Austrália apenas há 200 anos e veja as diferenças culturais, a limpeza das ruas, os prí©dios públicos, a administração da coisa pública, a manutenção das ruas, estradas, ESCOLAS, o ensino educacional, a saúde pública, etc. A cultura branca doutrinou os aborí­genes e que se integraram na sociedade anglo-australiana. A mesma coisa ocorreu com a Nova Zelí¢ndia e com os nativos de lá.
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Postby Estudante do Brasil » Sun Apr 20, 2003 6:13 am

Pedro,

Cultura superior

Para se falar de uma "superioridade" e "inferioridade", í© necessário definir um parí¢metro pelo qual as culturas sejam medidas. Se o parí¢metro í© o progresso econí´mico, algumas culturas são indubitavelmente superiores a outras. Mas agora, quais hábitos culturais efetivamente contribuem para esta prosperidade? Na minha opinião, todos eles, desde os valores morais atí© os religiosos, passando pela í©tica do trabalho e pela capacidade de coexistir pacificamente.


Não compreendi uma coisa: vocíª está afirmando que uma cultura economicamente superior tem todos os hábitos culturais superiores se comparada a uma cultura economicamente inferior?


Imigrantes X Nativos

Os imigrantes europeus e asiáticos eram em geral camponeses; eles se fixaram em terras onde o clima era semelhante ao de suas terras natais porque só conheciam o trabalho agrí­cola peculiar í quele clima. Mas nem todos receberam lotes do governo, apenas uma minoria. Os mestiços não receberam lote nenhum, mas invadiam terras ociosas, e não foram bem-sucedidos: eles praticavam uma agricultura de queimadas, esgotavam o solo e o abandonavam. A razão do sucesso de um e do fracasso de outro não está na posse legal da terra, mas sim NA CAPACIDADE DE TORNA-LA PRODUTIVA.


Embora continue acreditando o apoio do governo existiu em relação as colí´nias europí©ias e asiáticas enquanto aos ex-escravos e mestiços o descaso foi a tí´nica, vocíª coloca um ponto interessante:a capacidade de tornar a terra produtiva. Os nativos ( aqui a palavra usada no sentido do povo brasileiro não imigrante ) faziam a coivara porque era prática agrí­cola que conheciam a partir do ensinamento indí­gena. Se existiam e existem tí©cnicas agrí­colas mais eficientes, cabe ao Estado socializar este conhecimento. Isto o Estado Brasileiro não faz. E hoje, temos esta brutal desigualdade social. Se o Estado não ofertar conhecimento ao povo, a desigualdade persistirá.

INVESTIMENTOS DO GOVERNO

Os investimentos do governo tem sido feitos de forma incorreta, devido a um secular equí­voco: todos imaginam que o progresso se traduz em obras de engenharia: estradas, hidroelí©tricas, pontes, edifí­cios, etc. Desde Whashington Luí­s (lema: "Governar í© abrir estradas"), passando por Juscelino Khubitschek (lema: "Energia e Transporte") atí© Mí©dici (transamazí´nica, etc.) a idí©ia fixa de todos não í© de construir o povo, mas construir prí©dios. Quando falam em fazer escolas, pensam no prí©dio (como os CIEPs do tempo do Brizola) e não no professor. ESCOLA NíƒÆ’O É EDIFíCIO, ESCOLA É PROFESSOR. Do mesmo modo, hospital não í© o prí©dio, hospital í© o mí©dico. A Corí©ia do Sul, nos anos 60, era muito mais pobre do que o Brasil, mas decidiu investir em massa na educação básica da população. Hoje tem um dos maiores parques industriais do mundo, e excelente infra-estrutura. Eles fizeram certo: primeiro construí­ram o povo, e depois o povo construiu a ponte, a usina, etc.


Concordo plenamente. A expressão construir o povo í© uma boa sí­ntese disto.

Reforma Agrária

O Brasil tem 20% da população no campo. É muito; os paí­ses mais adiantados tem menos de 10%. Fazer a reforma agrária í© uma maneira de recriar, de forma artificial, uma etapa por que o Brasil deveria ter passado dí©cadas atrás. As pessoas imaginam o latifundiário como um indiví­duo estúpido e egoí­sta, que prefere manter uma enorme propriedade inexplorada, enquanto os lavradores passam fome. Mas se ele mantí©m aquela terra sem explora-la, í© porque há algum fator que torna a sua exploração economicamente inviável: solo ruim, ausíªncia de estradas, de máquinas, de mercado. E OS FATORES QUE DíƒÆ’O ORIGEM A LATIFúNDIOS IMPRODUTVOS PODEM TAMBÉM GERAR MINIFúNDIOS IMPRODUTIVOS. O resultado de tudo isso í© que o Brasil, que já tem os "Sem Terra", está criando uma nova casta: os "Com Terra", que são aqueles que receberam lotes do governo, mas não conseguiram torna-los lucrativos, e continuam a clamar por mais benefí­cios í  custa do contribuinte.


Creio que esta deve ser uma escolha de governo. Se o governo resolver privilegiar a agricultura familiar como forma de inclusão social destas pessoas pode dar certo. São milhões de miseráveis precisando de emprego. Onde gerar estes empregos? Se economicamente ficar comprovado que a reforma agrária í© uma boa alternativa, deve ser utilizada no leque do várias alternativas. Afinal, existem vários caminhos a serem trilhados, e não necessariamente devemos seguir os caminhos trilhados por outras nações.

Mestiço que se destacaram

De fato, há numerosos e honrosos exemplos de mestiços que se destacaram por seu talento. Mas foram mestiços que souberam apreciar e assimilar a cultura dita "branca". Nosso maior autor í©, de longe, Machado de Assis. O que não impede que muitos o condenem por "não haver celebrado a negritude"... Quem celebrou a negritude e vende aos borbotões no estrangeiro não foi um mulato, mas um branco, Jorge Amado (que não chega aos pí©s de Machado de Assis). E a "negritude" que ele celebrou foi estereotipada por negros malandros e mulatas assanhadas doidas por um branco que as sustente - exatamente o tipo de coisa que faz vender livros brasileiros no estrangeiro


Aqui novamente temos crenças fundametais diferentes. Não creio que os mestiços assimilaram a cultura branca. Creio que o Brasil vem criando, vem construí­ndo uma cultura hí­brida, onde há elementos de várias origens. A música de Vila-Lobos e o barroco mineiro são um bom exemplo disto. Não í© cultura branca, í© cultura brasileira.
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Postby Macunaima » Sun Apr 20, 2003 7:24 am

Racismo, sim.

Ora, pessoal, todo mundo aqui está medindo "cultura áfricana" e a "cultura europeia". Tais culturas nem existem: ambos a ífrica e a Europa são continentes, não regiões culturais: Portugal faz parte da Europa, mas a Islí¢ndia, Russia e a Albí¢nia tambí©m fazem. Angola fica na ífrica, junto com o Egito, Morrocos e ífrica do Sul. O que tem de culturalmente coeso entre esses paí­ses?

Quando, então, o Brasiliano e Pedro afirmam que "a cultura europeia" í© superior a "africana", o que í© que eles pretendem medir, exatamente?

"Desculpe-me, mas o Pedro só escreveu a verdade. Sei que a verdade dói em muitas ocasiões, mas vocíª deve reconhecer que não existe nenhum paí­s africano que sirva de bom exemplo."

Bom exemplo de que, exatamente? Comportamento na sala de aula? Tí©cnicas sexuais? Poluição industrial? Riqueza de formas musicais? Todos esses elementos e muito mais são culturais e um paí­s pode ser um excelente ou pessí­mo exemplo em todos, alguns ou nenhum. Então o que, exatamente, í© que vocíª pretende medir, Brasiliano e porque vocíª acha que todas formas culturais de uma determinada aglomeração humana são igualmente "superiores" ou "inferiores" quando í© mais que óbvio que todos essas tem seus pontos fortes e fracos, culturalmente falando?

"O Brasil foi descoberto há mais de 500 anos e a Austrália apenas há 200 anos e veja as diferenças culturais..."

Nem a Austrália, nem o Brasil são culturalmente homogíªnios, então pergunto de novo, Brasiliano: qual "cultura" í© que vocíª está medindo?

"A cultura branca doutrinou os aborí­genes e que se integraram na sociedade anglo-australiana..."

Ahn! Agora entendo! Não estamos falando de "cultura" aqui, pois não existe nada que poderia ser considerada como "a cultura branca". Estamos falando, de verdade, na sua crença em superioridade branca, neh Brasiliano. Na sua crença que existe diferença morais que são obviamente ligadas í s diferenças fí­sicas e que tem grupos fisicamente diferenciados que são, portanto, superiores. Isto í© simplesmente racismo, meu amigo, e aqui no Brasil í© crime.

Novamente, desigualdades são criadas pela história, economia e pela polí­tica. Vocíª não tem que apelar a raça, velando seu uso do termo com a palavra "cultura", para entender porque o Brasil í© do jeito que í©: basta olhar a história. Temos quase 400 anos de história escravocrata atrás da gente e as formulações sociais e econí´micas criadas naqueles tempos não passaram simplesmente com um estalo dos dedos. Dado as grandes desvantagens com que o Brasil sofreu, social e economicamente, í© uma maravilha que a gente está indo tão bem.

Vamos olhar para a educação, por exemplo...

A primeira universidade americana foi fundada em 1650, se í© que me lembro bem. Seu contraparente brasiliero foi fundado em 1820. Essa diferença não veio da "cultura" ou dos "ví­cios do sangue africano" (como diria Oliveira Vianna): veio do fato que o governo colonial do Brasil PROIBIU o estabelecimento de escolas de ensino superior. Porque? Por excelentes razões geopolí­ticas: o Portugal queria manter controle do elite de sua maior e mais valiosa colí´nia ligado í s interesses do metrópole, portanto, se vocíª queria estudar, teria que ir a Coimbra. A inglaterra não dava o MíNIMO para as colí´nias da Nova Inglaterra nos sí©culos 17 e 18. No máximo, eles eram um lugar conveniente para jogar rebeldes religiosos e polí­ticos. Se í© que esses caras queriam fundar suas universidadzinhas de merda para ensinar Sócrates aos í­ndios (como foi o caso de Dartmouth, por exemplo) e daí­? Valioso, mesmo, era Jamaica e as Bermudas. Deixam os puritanos malucos fazem o que quiseram lá naquela terra rochosa, sem valor econí´mico algum, porque assim serão felizes e não encherão nosso saco como fizeram com Cromwell durante a Guerra Civil...

E os puritanos não chegaram í  Amí©rica do Norte seguindo um destino "cultural", com seus os olhos brilhando do espí­rito da Reforma e planos arquitetí´nicos para o futuro EUA em suas mãos pálidas: foram a Amí©rica do Norte porque, afinal, era aquilo ou a forca.

Cultura? Onde í© que a "cultura" entrou nesse quandro? A história, a polí­tica... São esses os fatores que explicam o desenvolvimento da rede universidade americana antes do sí©culo 19 e seu relativo atraso no Brasil. Mesmo se tivesse brasileiro que queria fundar universidade (e tinham muitos) com que livros ensinaria, sendo que o Portugal proibiu a existíªncia da imprensa na colí´nia?

Nada disto aconteceu por causa de uma "cultura" anglo-saxão ou luso. Aliás, os EUA de hoje (presumindo que podemos tratar o paí­s como uma "cultura" e não simplesmente como uma aglomeração polí­tica feita de várias culturas) são culturamente mais longe das colí´nias inglesas daqueles tempos do que são do Brasil contemporí¢neo, então pergunto novamente: que "cultura" anglosaxã vocíª pretende medir?

Essas diferenças existem por causa dos interesses de poder, por causa de polí­ticas conscientes, polí­ticas que tiveram um efeito em sí©rie. Certamente, a relativa falta de um sistema educacional de boa qualidade no Brasil não í© só e unicamente a fruta do quadro que descrevi acima, mas com certeza, esse quadro teve mais impacto na nossa realidade do que uma "cultura" efíªmera que vocíªs nem conseguem localizar ou descrever direita.

Olha só o abuso da palavra 'cultura' aqui: já falaram em "cultura europeia", "cultura branca", "cultura brasileira"... Peraí­: o orgão gerador de cultura í© continental, racial ou nacional? Todas ou nenhuma dessas coisas? Como í© que podemos ter "culturas" europeias e africanas, que supostamente regula as diferenças entre os homens no ní­vel de educação e riqueza, mas ao mesmo tempo ter culturas nacionais que - aparentemente - não fazem nada disso? Porque que a cultura duma "raça" í© mais predominante na fabricação de destinos do que a cultura de uma religião, uma classe, um bairro..? Enfim, seu uso da palavra "cultura", Brasiliano e Pedro, não quer articular nada mais, nada menos do que seu PRECONCEITO, seu CONCEITO PRíƒË†VIO, que os negros são inferiores aos brancos.

Fala a verdade, meninos: vocíªs nem tíªm uma boa noção do que í© "cultura". Ela í© apenas uma palavrinha útil para mascarar suas crenças racistas. Se vocíªs foram dizer "os brancos são superiores aos negros", vocíªs seriam esculachados. Agora, dizer "Os europeios são culturalmente superiores aos africanos" passa a mesma mensagem, sem colocar sua bundinha pálida na linha de fogo.

Hilário í© o fato que vocíªs, "eurobrasileiros superiores" são nada mais do que um banda de covardes, escondendo suas crenças verdadeiras atrás de códigos por medo dos politicamente corretos. :lol:

Patí©ticos. Se acreditam na superioridade branca, sejam homens e falem! Não escondam seu racismo atrás desses sofistismos de terceira categoria. :roll:
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Postby Macunaima » Sun Apr 20, 2003 8:06 am

SOBRE IMIGRAíƒâ€¡íƒâ€šO...

Pedro diz: "Quanto aos números referentes í  imigração, em meados do sí©culo XIX a taxa de retorno era de 3 em cada 4, depois diminuiu."

Yeah. So?

Estou falando dos imigrantes alemães do fim do sí©culo XIX e dos italianos do sí©culo XX. Fausto estima que mais que a metade dos italianos foi embora ou voltou ao paí­s de origem. Carneiro estima que 50 porcento dos imigrantes, globalmente falando, não se fixaram no Brasil. Willems diz que 49% dos imigrantes alemães não ficaram por essas bandas. Todos esse cavalheiros baseam seus dados nas informações do IBGE e do antigo Serviço Migratório de São Paulo e são desses dados que eles falam. Nem levam em conta as imigrações anterior á abolição, pois simplesmente não tinham estatí­sticas para essas.

No meu trabalho de mestrado, porí©m, segui a trajetória da imigração americana ao Brasil após da guerra da secessão: mais que a metade deles foram embora. Tambí©m tem excelentes estudos de caso de várias colí´nias antes de 1890 em que a grande maioria dos imigrantes se mandaram.

Mesmo nos EUA, algo em torno de 30 a 40 porcento dos italianos imigrantes do sí©c. XX voltaram a itália.

Devo dizer a base do que falo, Pedro: sou pesquisador do CNPq na área de migrações. Minha orientadora, Dra. Giralda Seyferth, í© - mais do que qualquer brasileiro - a autoridade sobre o desenvolvimento í©tnico do Brasil e as migrações europeias do sí©c. XX. Ela nasceu numa colí´nia alemão no Vale do Itajaí­. Portanto, sei do que falo quando digo que vocíª não sabe porra alguma ao respeito da imigração dos europeus ao nosso paí­s. Mas foi uma bela tentativa sua de tentar revistir os mitos da REDE GLOBO com o manto da história.

Para com o MST, suas contradições são hilários. Primeiro, indica que o MST í© coisa do nordeste. Quando te lembro que o maior foco MSTista nesse paí­s fica em seu querido RGS, vocíª fala sobre o valor das terras. Quando pergunta, "Mas perái, como í© que o eurodescendente [para usar seu termo], tão honesto e empenhador, pode propor o roubo de terras valiosas dos outros?" vocíª se cale. Depois, diz que os únicos eurodescendentes na zona rural são "velinhos", residentes de um "museu antropologico".

Será que sou a única pessoa nesse forum pelo qual essa afirmação sua fez levantar algumas imagens hilariantes? Imaginei um monte de velinhos loiros de olhos azuis, foices e bandeiras do MST na mão, enfrentando as capangas de seu pai.

Fala a verdade, Pedro: o que vocíª está falando, no final das contas, í© que o MST não existe em seu estado. Como podia existir, sendo que a população euro-descendente de seu estado - a grande maioria da cidadania - agora são todos doutores, advogados e grande industrialistas, vivendo no luxo?

Ah, Pedro (ou devo dizer Crisaldo?), vocíª me faz rir, sabe? E a risada faz bem para a alma. Quando escuto vocíª, imagino um italo-brasileiro, escurinho da Silva com um píª e meio na cozinha, nascido na colí´nia de Ocudumundo Mirim, RGS, que - por trabalho ou sorte - conseguiu ir a cidade grande estudar direito. Para compensar seus sentimentos de inferioridade, desenvolveu essa teoria grandiloquente da proeza í©pica de (alguns de) seus antepassados que, supostamente, "faz o Brasil".

Só não entendo sua raiva para com os coitados lusobrasileiros. O que aconteceu, Pedro? Uma princezinha de sobrenome de Oliveira recusou namorar com vocíª, lixo branco italiano? :lol:
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P/ Macunaí­ma

Postby Brasiliano » Sun Apr 20, 2003 12:41 pm

Macunaí­ma,

Logo vi que vocíª iria ficar ofendido e mostrar todo o seu complexo de inferioridade. Apenas fiz um comentário em concordí¢ncia com o Pedro e para vocíª ficar ofendido. Não seja emocional Macunaí­ma, apenas veja a realidade por si só. Veja tambí©m o sucesso dos paí­ses colonizados. Quais são os paí­ses de hoje em dia de sucesso? Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelí¢ndia. Quem os colonizou? Veja o ensino, as leis e o respeito ao ser humano, a disciplina. Contra fatos, não há argumentos. O melhor colonizador foram os anglos saxões e mesmo tendo tido vários problemas, mas compare as colonizações feitas por outros paí­ses. Compare Macunaí­ma: Compare com a colonização francesa, alemã, italiana, portuguesa, belga e espanhola. Veja aonde encontra-se os sucessos de paí­ses colonizados e por quem. Compare melhor as diferenças entre Brasil e Austrália, a começar pelos anos de descobrimento.
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Postby Macunaima » Mon Apr 21, 2003 6:13 am

Brasiliano,

Ofereci algumas razões excelentes para o atual situação do Brasil que tem tudo a ver com a história e econí´mia e nada a ver com "cultura". Em vez de se engajar com essas, vocíª simplesmente as ignorou, repetindo sua afirmação anterior que a colonização inglesa (ou sei-lá-o-que) í© superior.

Olhando para as colí´nias europeias que foram estabelcidas em condições econí´micas semelhantes ao Brasil - ou seja, colí´nias escravocratas, produtoras de recursos primários de natureza semi-tropical (tipo cana de açucar) - nota-se uma acentuada semelhança com a situação brasileira. Vocíª fala na colonização francesa: e Haiti? Os ingleses: Jamaica. Os holandeses: várias ilhas no caribe e Guyana...

Em todos esses casos, vemos grandes semelhanças culturais, econí´micas e sociais com o Brasil - particularmente o Brasil da antiga zona canaviera. Como explicar isto? Se sua teoria fosse correta, a "superioridade natural" da colonização inglesa deveria ter criado um paraiso em Jamaica. No entanto, onde os Europeus (de qualquer nação) implantaram colí´nias de extração escravocrata, a história seguiu rumos semelhantes a da história brasileira.

Portanto, algo muito alí©m de "cultura" há de ser procurado para explicar o relativo fracasso dessas colí´nias: esse fator í© a história. Essas colí´nias não eram de povoamento e sim de exploração e os resultados deste tipo de colonização pode ser amplamente vistos, mundo afora, onde o sistema foi implantado.

Para dizer a verdade, enquanto comparamos antigas colí´nias desse tipo, vemos que o Brasil está indo muito bem, obrigado. Poderiamos ser um outro Haiti, mas apesar da musica do Caetano e Gil, Haiti não í© aqui.

" Não seja emocional Macunaí­ma, apenas veja a realidade por si só. "

Emoções não tíªm nada a ver com o assunto, Brasie. Vocíª simplesmente não ofereceu nenhum argumento lógico para sustentar sua opinião que a colonização inglesa í© "melhor". Acabei de fazer o que vocíª sugeriu: comparei as colonizações. Como podemos ver, o TIPO de colonização í©, aparentemente, muito mais importante em determinar o destino do paí­s do que a nacionalidade do colonizador. Frente isso, continuar na crença que o Portugal í© uma cultura "inferior" í© uma posição emocional.

Tenho uma notí­ca para vocíª, Brasiliano: as coisas não são "verdadeiras" simplesmente porque vocíª as declararam a ser. É precisa de evidíªncias e essas tíªm que ser analisadas. A única coisa que vocíª faz aqui í© repetir estereótipos e preconceitos que foram desmistificados por tais historiadores como Boxer 2 gerações atrás. ´Tá na hora de acordar para cuspir, Brasie: vocíª não í© um eurodescendente "superior"? Então porque tanto apego í s ideí­as ultrapassadas e comprovadamente falsas? Parece atí© um daqueles portugueses estereotipados que vocíª tanta crití­ca, avesa a qualquer ideí­a nova que não combina com seus preconceitos.

Para com "respeito com seres humanos", como vimos na guerra recente, os EUA não respeitam nada alí©m de suas próprias interesses geopolí­ticas.
"Brazil is the country of the future and always will be."
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Postby Estudante do Brasil » Mon Apr 21, 2003 7:25 am

ARRíƒâ‚¬! :lol: :lol: :lol:

A discussão chegou no ponto onde eu queria...
Vejamos se entendo os argumentos colocados.

1)Brasiliano e Pedro afirmam que o fato cultural í© preponderante no desenvolvimento das nações, que os paí­ses de cultura anglo-saxí´nica foram melhor sucedidos devido a sua superioridade cultural ( ao menos no ní­vel tecnológico , me corrijam se estiver errado ).

2)Professor Macunaí­ma aponta a história, as causas históricas como a melhor explicação para o desenvolvimento das nações. Compara as diversas colonizações europí©ias e conclui a simililaridade entre elas não em razão do paí­s colonizador, mas em razão do tipo de colonização: colí´nias de povoamento e colí´nias de exploração.

EUA, Canadá, Nova Zelí¢ndia e Austrália, Argentina, Chile, Uruguai, Sul do Brasil: colí´nias de povoamento. Quem povoou: ingleses, franceses ( Canadá francíªs ) alemães, italianos, polononese, japoneses . Que tí©cnicas usaram? Aquelas que já conheciam desde muito tempo com pouca adaptação í  areas de clima semelhante aos paí­ses de onde vieram.
O clima foi fator determinante nesta escolha e fato determinante no seu sucesso agrí­cola...O clima, tão desprezado nas análises, o clima, aquele coitado, tido como o primo pobre nas explicações sobre o desenvolvimento dos paí­ses. E tome saúva, e tome malária, e tome febre amarela, e tome rotavirus, e tome ervas daninhas, e tome calor causticante, e tome solo pobre neste Brazilzão de meu Deus.

A desgraça do Brasil, do Haiti, das Guianas foi sua riqueza tropical. Devido ao clima, eles vieram para criar uma colí´nia escravrocrata de exploração de riquezas naturais nestes lugares e criaram uma estrutura econõmica e social a qual cristalizou-se de tal forma que ainda hoje temos que quebrar esta estrutura. Qual o fato determinante? Buscar especiarias tropicais, plantar cana de açucar... O clima de novo, a explicação mais simplória, como uma pí©tala caí­da.

E, by the way, viva os portugas, entre todos os europeus, em áreas tropicais e equatoriais eles foram os craques, se misturaram de corpo e alma aos nativos, aprenderam suas tí©cnicas, espraiando-as entre Brasil Africa e Asia: comidas, plantas, cores e sabores e conseguiram, entre todas as colí´nias de exploração, a única com identidade cultural e potencial humano para ser uma das grandes potíªncias mundiais.

Façam suas apostas.
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:cup
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Explicando

Postby Pedro » Mon Apr 21, 2003 12:26 pm

Estudante:

O que eu quis dizer foi uma coisa simples e cabal: os caboclos fracassaram porque eles não tinham conhecimentos adequados quanto ao trabalho agrí­cola, e os imigrantes foram bem sucedidos porque tinham estes conhecimentos. Mas como poderia o estado ministrar estes conhecimentos a eles, se não havia escolas nem professoras primárias que sequer os ensinassem a ler? É o nosso velho ví­cio de clamar por um estado paternal e onipresente, ao qual caberia resolver todos os nossos problemas.

Excluir a importí¢ncia dos hábitos culturais na formação da riqueza í© excluir o fator humano da história, e retornar a um mundo primitivo onde o trabalho das pessoas não vale coisa alguma e todo sucesso í© explicado por fatores fí­sicos como solos fí©rteis, bom clima, lençóis petrolí­ficos, etc. Como disse o Macunaí­ma, a História explica. Mas quem move e dá direção í  História? Os ventos? As correntes marinhas? Não. São as pessoas. Por que motivo a Europa dominou a ífrica, e não o contrário?

Macunaí­ma:

Vocíª pensa que sabe muito, mas tudo o que vocíª tem são números, e em Estudos Sociais, ter nas mãos um monte de números í© a maneira mais eficiente de não se saber nada. Já conheci uns duzentos "pesquisadores" como vocíª, parece que saiu tudo da mesma chapa.

Disse o fí­sico Andrí©-Marie Ampí©re, no sí©culo XIX:

"Se vocíª quer estudar um determinado fení´meno, e sabe exprimi-lo por um número, então vocíª sabe alguma coisa a respeito, mas se vocíª não consegue exprimi-lo por um número, tudo o que vocíª tem í© uma vaga idí©ia"

Assim í© nas ciíªncia exatas. Mas nas ciíªncias humanas, acontece o contrário: quanto mais números vocíª tem, mais aumentam as possibilidades de mistificar, de camuflar, de engambelar. É como disse sir Gladstone, ex-primeiro ministro da era vitoriana:

"Há tríªs tipos de mentira: mentiras comuns, mentiras deslavadas e estatí­sticas"

Para sua informação, tenho dois bisavós italianos, um bisaví´ suí­ço, e da parte materna sou descendente de uma antiga famí­lia mineira e paulista (Bueno Brandão) que conta inclusive com í­ndios entre os ancestrais mais antigos. Como pode ver, não tenho raça e sou misturado, assim como a maioria dos brasileiros.

Insisto que não estou interessado no que restou das antigas colí´nias do sul do paí­s, pois se um indiví­duo ainda vive do mesmo jeito que seu bisaví´ imigrante 100 anos atrás, este indiví­duo forçosamente fracassou, e atí© entendo que queira entrar para o MST. Quando eu me refiro aos descendentes dos imigrantes (europeus, árabes, japoneses, não importa) refiro-me í  classe mí©dia urbana que derivou deles, e cujos integrantes não podem ser mais classificados etnicamente, mas são simplesmente BRASILEIROS. É inegável que os descendentes dos imigrantes contituem o cerne na classe mí©dia brasileira.
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PIB dos paí­ses

Postby Brasiliano » Mon Apr 21, 2003 12:35 pm

Macunaí­ma e estudante,

Vocíªs já deram uma olhada no PIB (Produto Interno Bruto) dos paí­ses que eu citei e comparando com o Brasil?.... Os números não mentem.

Talvez se o Brasil fosse o estado de SP, RJ, sul de Minas, Trií¢ngulo Mineiro, Mato Grosso, Paraná, Sta Catarina, Rio Grande do Sul e atí© colocando o estado do Espí­rito Santo, então aí­ sim o paí­s seria muito melhor e devido ao tipo de colonização europí©ia.
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São Paulo

Postby Brasiliano » Mon Apr 21, 2003 12:48 pm

Aliás, digo mais, São Paulo deveria ser um paí­s independente. Foi uma pena que a revolução constitucionalista de 1932 não deu certo. Existe inclusive hoje um feriado a ní­vel estadual em todo o estado de SP, saudando o dia da revolução contra as forças de Getúlio Vargas. Outra coisa, o sul de Minas, RJ, Mato Grosso e parte do Sul apoiaram a revolução, mas que infelizmente foi derrotada. Vejam vocíªs o que í© o estado de São Paulo. Entra no estado de SP, as estradas são bem conservadas, mais limpas, bem administradas, carros da polí­cia são novos, melhores cidades e restaurantes mais limpos. Só São Paulo, tem que praticamente sustentar o restante do Brasil. São Paulo tem que levar um fardo nas costas e carregar o restante do Brasil nas costas. No Rio de Janeiro, quase tudo í© "importado" de São Paulo, atí© o alface. É importante ver a importí¢ncia da imigração europí©ia e a potíªncia que í© São Paulo. A sorte de vocíªs í© que São Paulo faz parte do Brasil e não í© um paí­s independente.
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Postby Macunaima » Tue Apr 22, 2003 5:27 am

Meu deus. É a batalha entre os luso-tropicalistas e os racistas puras. Engraçado, gente: ambas essas teorias, a da superioridade portugesa e a da superioridade europeia, foram AMPLAMENTE desmistificadas na dí©cada de '40. É só dar uma olhada ao debate entre Paulo Prado e Gilberto Freyre para ver a última vez que elas estavam na moda.

Quero dizer, para Stud, Brasie e Pedro, aparentemente NADA de interessante ou notável tem saida das disciplinas de história ou sociologia no Brasil e no mundo nos últimos 70 anos. Ou vocíªs são todos velinhos desatualizados, ou são extremamente ma informados. Me desculpem.

Suspiro.

Stud, a clima foi um fator sim, mas mais em torno da economia do que em torno de considerações de adaptação a terra. No seculo XVII, a America do norte simplesmente não produziu NADA de interessante, economicamente falando, para a Europa. No Brasil e nas ilhas caribenhas, porí©m, produziu-se cana de açucar: o produto mais lucrativo do mercado. Neste sentido, a clima TEVE, sim, uma influíªncia. Mas será que foi predominante?

Não.

Para começar, esse tipo de colí´nia de extração foi implantada em várias climas e todas tevem os mesmos problemas, largamente falando. O sul dos EUA - Virginia, por exemplo - não í© uma região tropical. A maior parte nem í© subtropical. Mas vemos os mesmos problemas. É muito capaz que, se o sul tivesse ganhado a Guerra Civil Americana, o Brasil teria uma república irmã hoje nos EUA. Com certeza, o desenvolvimento econí´mico e social do sul americano seguia rumos semelhantes ao do nordeste brasileiro atí© 1930, no mí­nimo.

O fator predominante aqui foi escravidão. Nota-se que naqueles lugares tropicais e subtropicais onde não houve uma regime escravocrata de grande porte, a história seguiu rumos diferentes.

Devo mencionar que essa idí©ia "colí´nia de povoamento" í© meio utrapassada. Nenhuma das colí´nias que começaram no sí©culo XVI eram para ser "colí´nias de povoamento": acabaram virando isso por falta de outras opções econí´micas. O Canadá foi exemplo clássico: começou como colí´nia extrativa da primeira ordem. Dado a impossibilidade de utilizar escravos na colheita de peles, porí©m, nunca teve a implanatção de um sistema de plantações. Os franceses, largamente falando, ignoraram Canadá, mandando somente quantidades minúsculas de colonistas. a maioria dessas não "utilizaram as tí©cnicas que conheciam na europa" para sobreviver: integraram-se í s culturas indí­genas, utilizando as tí©cnicas dos í­ndios para produzir comida e material para o comí©rcio. A quantidade de fazendeiros europeus no Canadá foi ridí­cula atí© o sí©culo 19, após da conquista brití¢nica.

As colí´nias ditas "de povoamento" no sí©culo XVI e XVII simplesmente não eram "de povoamento": eram colí´nias extrativas que faliram. Atí© os peregrinos de Plymouth sonharam e fazer fortunas com a pesca e a colheita de peles. Aliás, a primeira guerra europeia em terras americanas começou justamente porque os holandeses estavam instigando os Pequots a retirar peles de terras que os puritanos de Boston consideraram suas.

"Mas quem move e dá direção í  História? Os ventos? As correntes marinhas? Não. São as pessoas."

As decisões consciente e inconscientes que as pessoas tomam. A polí­tica e economia. As vezes a cultura influíªncia, mas raramente ela direciona a história. Para com a educação, Pedro, comentei acima e vocíª ignorou os comentários, pois simplesmente não cabem em sua visão triufalista e racista da cultura europeia. A relativa falta de escolas e livros no Brasil no sí©culo XIX não tem nada a ver com a "cultura" dos nativos e sim com as polí­ticas do metropole que colonizou o Brasil. Os caboclos foram feitos para serem ignorantes. Sua ignorí¢ncia í© fruta de uma polí­tica METROPOLITANA E EUROPEIA, e não de sua incapacidade cultural a apreender.

Falando nisso, perdi conta do número de colí´nias de imigrantes europeias que faliram aqui no sí©culo XIX, ví­timas do mesmo descuido do poder central. Não í© a "cultura europeia" que construiu o Brasil pequeno produtor e sim a polí­ticas vargasistas de extensão rural e expansão do mercado interno. Os europeus que chegaram aqui no sí©culo XIX, largamente falando, se deram como burros n'agua. Por isso, a maioria deles acabaram ou reimigrando í s cidades ou voltando para seus paí­ses de origem. Um exemplo excelente: a colí´nia de Novo Friburgo. 2000 suiços foram importados. Após de 5 anos, nem 200 continuaram na colí´nia. A Vale do Itajaí­ foi colonizada com europeus várias vezes: nenhuma das levas se fixou majoritáriamente na região.

"Vocíª pensa que sabe muito, mas tudo o que vocíª tem são números..."

Aliás, odeio estatí­stica. Só antropólogo. Faço trabalho de campo qualitativo, não quantitativo. Poucos dos argumentos que faço aqui são baseados em números e vocíª concordou com aqueles que são. O que eu conheço, meu filho, í© a história do Brasil, algo que vocíª obviamente nunca estudou alí©m da terceira sí©rie. E olha lá. :lol:

" Insisto que não estou interessado no que restou das antigas colí´nias do sul do paí­s..."

탓bvio, meu chapa! São na sua maioria colí´nias que FALIREM!!! :lol: :lol: :lol:

Se vocíª fossse se interessar, toda a sua teoria sobre a "superioridade europeia" iria a picas. Portanto, vocíª obviamente não vai se interessar, nunca. Ideologos racistas feito vocíª NUNCA se interessam por fatos que não combinam com suas mensagens de ódio e desprezo.

"...refiro-me í  classe mí©dia urbana que derivou deles..."

E, largamente falando, os antepassados dessa classe mí©dia urbana não fizeram NICAs para a melhoraria da agricultura no Brasil.

Não entendo vocíª, Pedro. De um lado de sua boca, vocíª fala nas bem sucedidas colí´nias agriculturais europeias que renovaram nossa agricultura. Do outro lado, vocíª concorda que essas colí´nias fracassaram e que seus integrantes foram correndo para as cidades.

"...e cujos integrantes não podem ser mais classificados etnicamente, mas são simplesmente BRASILEIROS."

Ahn. Então todas aquelas organizações, centros culturais, jornais e restaurantes ÉTNICAS em SP foram feitas por quem? Pelo MST? :lol: :lol: :lol:

Pedro, vocíª í© simplesmente um racista irremediável, e só. Engraçado í© seu medo de engajar abertamente com a polí­tica que vocíª tanto apoia - a de superioridade branca. Quer dizer, alí©m de racista, vocíª í© simplesmente covarde. Tchauzinho, meu loirinho! :roll:

Brasiliano: "Vocíªs já deram uma olhada no PIB (Produto Interno Bruto) dos paí­ses que eu citei e comparando com o Brasil?.... Os números não mentem."

Vocíª já deu uma olhada no PIB da Jamaica e da Guyana Inglesa, ambos antigas colí´nias brití¢nicas de extração escravocrata? Os números, como vocíª diz, não mentem...

Se vocíª vai falar na colonização inglesa, Brasiliano, tem que falar em TODAS as colí´nias e não só aquelas que fazem bonita frente a sua teoria racista. Novamente, hilário í© o fato que vocíª í© covarde, escondendo seu racismo atrás da noção de "cultura", algo que vocíª nem entende, em vez de simplesmente assumir suas crenças. Tenho pena de pessoas como vocíª e Pedro, Brasie. Sua visão do mundo í© tão complicada, bizantina. Para seus bisavós era muito mais simples: nós somos superiores porque somos brancos, e ponto. Mas para vocíªs, existe todo esse trabalho de inventar teorias esdruchulas simplesmente para puder dizer aquilo que o avó dizia livremente. E nem num fórum aní´nimo, como esse, vocíªs se sentem livres para falar o que vocíªs realmente acreditam. Coitados. Olha só o que a subida dos negros tíªm feito: te roubou da sua ideologia identária.

"São Paulo tem que levar um fardo nas costas e carregar o restante do Brasil nas costas."

Pois í©. E aquela mão de obra barratissima que veio do nordeste e construiu SP? E os recursos naturais que SP utiliza na sua industria? E a produção cultural carioca que consomem feitos loucos?

Anauí©, companheiro! Bota sua camisa verde e olhos a frente!
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Eurocentrismo

Postby Pedro » Tue Apr 22, 2003 8:37 am

OOPS!

Estamos melhorando. Já consigo concordar com vocíª em pelo menos alguns tópicos, como a obsolescíªncia dos conceitos de Luso-tropicalismo, Colí´nia de Povoamento e Colí´nia de Exploração.

Mas vocíª continua me acusando de racista e eurocíªntrico, apesar de eu nunca haver usado a palavra raça, e haver REPETIDAMENTE REITERADO que, por imigrante, eu não considero apenas os europeus, mas tambí©m os árabes e os japoneses. E nem todos os imigrantes receberam lotes em alguma colí´nia no interior: alguns, como os portugueses, sempre foram urbanos e dedicados ao comí©rcio, e não í  agricultura. De modo geral, os imigrantes não foram "correndo para as cidades", foi um processo lento com 3 fases distintas: a primeira rural, no sí©culo XIX (geralmente como empregados em fazendas, e não como donos de pequenos lotes); a segunda fase urbana e proletária, no iní­cio do sí©culo XX (í©poca dos bairros e comunidades í©tnicas de São Paulo); e a terceira fase na í©poca atual, como integrantes da classe mí©dia, agora já simplesmente brasileiros e não mais "í©tnicos".

Que muitas colí´nias agrí­colas do sí©culo XIX fracassaram, isso í© verdade. O motivo disso foi a incompatibilidade deste sistema com o regime de escravidão: enquanto esta esteve em plena vigíªncia, todos os projetos de colonização com imigrantes foram condenados ao fracasso. Os primeiros sucessos só apareceram bem mais tarde, quando o sistema escravocrata entrou em decomposição. Lembro de uma carta que eu li, escrita por um colono alemão de Nova Friburgo em 1853: ele reclamava da "dificuldade de se obter bons negros". Quer dizer, ou o colono se transformava em escravo, ou em dono de escravos; em ambos os casos, o velho sistema triunfava.

Mas mesmo com todos estes fracassos, as colí´nias de imigrantes foram o empreendimento mais bem sucedido da história de nossa agricultura. Vocíª leu O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro? Há um estudo comparativo entre diversas comunidades rurais de diversos pontos do território brasileiro. Os alemães de Santa Catarina são, de longe, a mais próspera de todas. Atí© um "comunossauro" como Darcy Ribeiro teve que reconhecer isto, embora ele, previsivelmente, atribua este resultado ao fato de haverem aqueles colonos recebido lotes do governo.

A polí­tica varguista produziu o pequeno produtor rural? Tolice. Nenhum grande dirigista, seja Vargas ou Khubitscheck, jamais modificou substancialmente a nossa sociedade. Na nossa fantasia, gostamos de imaginar o Grande Lí­der alterando os rumos da História tendo como intrumento apenas a sua vontade, mas os rumos da História
são alterados pela ação de milhões de cidadãos aní´nimos, e o fator determinante dessas mudanças í© a CULTURA.

Para a sua informação, sou moreno com olhos e cabelos pretos, e de modo algum me considero europeu só porque tenho bisavós europeus. Mas permita-me fazer algumas perguntas. Sinceramente, vocíª me intriga. Sua identidade í© ainda mais vaga que a minha: vocíª diz que í© americano, mas parece ostensivamente brasileiro (atí© pelo nick de Macunaí­ma). Qual í© a razão de sua atração pelo Brasil? Vocíª í© algum afro-descendente que fica feliz porque aqui vocíª pode encontrar brancos pobres (artigo raro nos EUA) e desta forma aplacar seus complexos? Ou lhe agrada que aqui vocíª possa exibir pontos de vista marxistas sem ser ridicularizado?
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Postby Estudante do Brasil » Tue Apr 22, 2003 1:56 pm

Bem, amigos, um bom texto para refletir.

Geografí­a es destino

El PIB del norte de Italia rebasa por mucho al del sur. Los "mojados" marroquí­es, al igual que nuestros paisanos, migran hacia el norte en busca de trabajo. El norte de Estados Unidos creció primero que el sur. Algunos estados del norte mexicano parecen ser otro paí­s al compararse con los del sur. í‚¿Por quí©?


Una respuesta pudiera ser la geografí­a. Como si el destino de un paí­s o de una región fuera determinado por la posición en el meridiano en que se encuentra.

El plan de Fox, Puebla-Panamá, está orientado precisamente a acelerar el desarrollo del sur de Mí©xico, y serí­a conveniente considerar algunos puntos relacionados con el determinismo geográfico, idea aterrizada por Ricardo Hausman -profesor de desarrollo económico de la Escuela de Gobierno de la Universidad de Harvard, y exdirigente del Banco de Desarrollo Inter-Americano-, en su artí­culo publicado en FP (Foreign Policy).

La idea del determinismo geográfico sin duda es controversial y hasta puede atentar contra lo que significa ser humano (la idea de echarle ganas y salir adelante). Sin embargo, hay cifras y estudios que refuerzan la tesis de "dime dónde está tu paí­s, y te dirí© quí© nivel de desarrollo económico tienes".

Veamos algunos datos aparecidos en FP.

Se estima que en 1820 Europa Occidental era 2.9 veces más rico que ífrica. Para 1992, ya era 13.2 veces más rico.

En 1960 el 20% más rico de la población mundial, tení­a 30 veces más ingreso que el ingreso del 20% más pobre. Para 1997, ya eran 74 veces más.

Los paí­ses que se han quedado atrás, tienen caracterí­sticas geográficas similares: tienden a estar localizadas en regiones tropicales y/o, por su ubicación, enfrentan costos muy altos de transporte para accesar los mercados globales.

De los 24 paí­ses clasificados como "industriales" ninguno se encuentra entre los trópicos de Cáncer y Capricornio, excepto el norte de Australia y la mayorí­a de las islas hawaianas.

En ífrica y Latinoamí©rica -ubicados entre estos trópicos-, el 5% de la población más rica gana casi el 25% del ingreso nacional, mientras que en los paí­ses industriales sólo ganan el 13%.

Los indicadores que normalmente se toman en cuenta para determinar el nivel de desarrollo son: el acceso a los mercados (Adam Smith) y el progreso tecnológico (Joseph Schumpeter).

El punto de Adam Smith: el secreto para la riqueza de las naciones es la especialización. Para que estas ganancias se materialicen, los productores deben de tener acceso a mercados donde puedan vender sus productos especializados y comprar otros. Entre más grande el mercado, más posibilidades para la especialización.

El punto de Joseph Schumpeter: la tecnologí­a promueve la Investigación y Desarrollo, y entre más gente utilice y pague por una idea nueva, mayor será su valor en el mercado.

Por su parte, Hausman arguye que el grado de transporte marí­timo o por rí­o impacta incluso a nivel intra-paí­s, es decir, una región con un gran bloque de tierra, sin ví­as acuáticas, se puede estancar. Cita el ejemplo del potencial de agricultura del Rí­o Paraná en Paraguay, que se desarrolló hasta que se firmó el Mercosur.

En agricultura los gobiernos de paí­ses desarrollados invierten 5 veces más que los paí­ses en ví­as de desarrollo. Para colmo, no necesariamente los resultados de este esfuerzo se trasladan a paí­ses pobres, en función de que es otro tipo de clima y por ende de productos (por ejemplo, fruta, vinos, salmón vs. cafí©, cocoa).

Entonces, si se habla de geografí­a, transporte, investigación y desarrollo, Hausman cuestiona el paradigma de que el desarrollo viene de polí­ticas económicas orientadas al mercado y de leyes fortalecidas normalmente por regí­menes democráticos.

Pareciera que pesa más el hecho de que las regiones son pobres porque su geografí­a debilita su productividad agrí­cola, están repletas de epidemias (no llega el frí­o invierno que las mata), son más vulnerables a desastres naturales (el 96% de las muertes por esta causa ocurren en paí­ses en desarrollo), les falta inversión en tecnologí­a y no tienen acceso a otros mercados.

En todo caso, los retos para regiones subdesarrolladas, como los que se plantean en el Plan Puebla-Panamá, convendrí­a se orientaran primeramente a conectar esas regiones con el resto del paí­s, y eventualmente con el mundo, a traví©s de inversiones en infraestructura para la transportación que reducirí­a el costo de transaccionar bienes. Adicionalmente, y quizás en paralelo, se invierta en tecnologí­as para la agricultura y salud pública de esas regiones en un esfuerzo consciente por integrarlas económicamente.

Hausman cierra con un párrafo elocuente:

"La solución para la pobreza según la geografí­a es que los paí­ses en desarrollo se globalicen más. Se necesitan acuerdos transnacionales para hacer que las fronteras no sean impedimento para mover a la gente, bienes y capital; y para facilitar el desarrollo de infraestructura para la transportación internacional. Así­ como mecanismos que aprovechen las capacidades internacionales de investigación y desarrollo en salud y tecnologí­a agrí­cola. En resumen, se necesita un gobierno más globalizado."

Mí©xico ya se está globalizando y conviene tomar en cuenta los argumentos de Hausman donde quizás lo único que podrí­a agregarse a su tesis, es la necesidad de elevar el nivel de educación de las naciones menos favorecidas.


HORACIO MARCHAND
Es Consultor de Empresas y catedrático del ITESM
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